Trump, Xi Jinping e a era da negociação: a coadministração conflitiva
- 1 day ago
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por Ricardo Guimarães
A primeira vez que vi essa expressão foi no artigo “O mundo entre dois imperadores” de Fabio Gallo no Estadão por ocasião do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping.
O professor diz que “nunca houve na história uma rivalidade entre grandes potências com tamanha interdependência econômica e tecnológica.” E mais à frente conclui: “o mundo está entrando numa nova forma de coadministração conflitiva… uma espécie de G2 informal.”
Informal quer dizer que não é G7, nem G5, nem Gmuitos como a ONU que, de tão burocráticos e políticos, não conseguem ver a vida como ela é e por isso fazem acordos que não funcionam e põem a vida em risco.
A novidade que Gallo aponta não é a rivalidade entre os países, mas a interdependência entre eles, o que justifica e fundamenta a proposta genial da coadministração conflitiva.
O reconhecimento da interdependência declara o fim da era da dominação — que evita e reprime conflitos — e inaugura a era da negociação, que reconhece conflitos como algo bom e útil para promover aprendizado, evolução e convivência com segurança.
Declarar “Independência ou morte” foi um grito bélico e heroico da juventude da humanidade, que hoje parece amadurecer ao aprender que a verdade da vida é: “Interdependência ou morte!”
A ideia de coadministração conflitiva vem em boa hora porque a dificuldade de conviver com conflito está afetando a saúde mental das pessoas e deteriorando o tecido social no lugar de fortalecer sua vitalidade.
Nas empresas, a situação é mais grave porque a negação e a repressão de conflitos obstruem o fluxo de informação; tanto vertical entre níveis como horizontal entre áreas e entre a empresa e o mercado; comprometendo a gestão de riscos, o ambiente de inovação e a agilidade junto ao mercado.
Se de fato a maturidade acontecer, e a consciência da interdependência se instalar nas pessoas e nas organizações, podemos funcionar como G1 ou Gtodos, e até tirar o “co” da “coadministração conflitiva” e simplesmente inaugurar a era da negociação com um novo conceito de administração: gestão apta a usufruir do conflito e evoluir. Melhor assim porque a alternativa não é a paz.




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